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Compasso de Espera

Posted by Mikel_Gorbachov on 12:43
Ao chegar ao aeroporto de Gatwick pela manhã apercebi-me que já aqui tinha estado antes... precisamente em Fevereiro deste ano, meses antes de começar a aventura, meses antes de saber que a iria realizar, nessa altura era tudo um sonho de uma vida diferente, era uma ficção num programa de televisão. Hoje é a realidade que vivo. Tinha visitado Londres nesse mês de S. Valentim, encontrado a Maria, era o mesmo amor de agora e o mesmo de sempre, para mim isto tudo era uma composição harmoniosa do destino. Ele realçava o lado certo do caminho a seguir. Na altura, era tudo incerto entre nós os dois, não tinhamos presente, o passado era distante e o futuro não era plausível. Era como o reencontro dos amigos que brincam aos namorados nas férias que fazem juntos, por norma o sexo é a melhor parte, cada um fala do melhor lado da sua vida, das coisas boas e dos novos amigos que fizeram. Tudo é perfeito na imagem que se passa ao outro, escondendo sempre aqueles pormenores que nos relembram do bom que foi e que trazem uma pequena saudade e uma grande mágoa no coração. Não se fala da "relação" ou da inexistência da mesma pois é receita para o desastre numa conversa de indefinições... O certo é que nada existe e por muito que se queira duas semanas num destino de sonho é muito romântico mas não muda a escuridão da realidade.

Este aeroporto trazia-me todo o tipo de memórias à mente, e cada 10 minutos olhava o relógio à procura que este compasso de espera rapidamente evolui-se e me deixa-se progredir para o próximo destino. Estava preso em Londres, preso no tempo, e vinte e quatro horas, é muito tempo para me auto-entreter... De repende o conceito de tempo voltou ao Zé, e invadiu-lhe a alma, colocando-o numa retropectiva ao príncipio da sua vida com a sua Maria, sem limites, neste exercício de revisão do que já foi e do que é porque não tinha pressas e não havia nada de inesperado ou engraçado a acontecer em seu redor. Estava num aeroporto supervisionado por polícia e seguranças, tudo era feito em detalhe e tudo era seguro, ninguém partilhava muitas conhecimentos e o maior passatempo entre todos era dormir e ler... Fiz o mesmo, mas nada me deixava focar nas palavras escritas e sempre ao fim de uma frase estava a voar no meu pensamento.

Quando a conheci à dois anos atrás nos países-baixos, quando a fui visitar na sua cidade no país dos Gregos, quando voltei para Portugal com a certeza de nunca mais a ver, quando desafiou tudo e trouxe a sua escova de dentes para a minha casa em Faro, quando estragámos tudo e nos separámos alguns meses depois... Quando a voltei a ver numas férias em Lisboa, quando nos encontrámos em Londres num dia de S. Valentim... Todos os momentos, os sorrisos, as frases decoradas, as noites enroladas, os orgasmos, os gritos... toda a montanha russa de emoções de alegria e tristeza, amor e ódio que era estar com ela... Tudo isso me invadia agora a mente de uma só vez.

Revê-la numa passagem por Barcelona onde já procuravamos diferentes amores e buscá-la agora... outra vez... mais uma vez, a desafiar a sorte que me trazia sempre para junto dela e ao mesmo tempo sempre me negava a possibilidade de continuarmos juntos... Era irónico o destino, e até maldoso na sua capcidade de tanto me oferecer e tanto me tirar mas especialmente na grande capacidade que tem de me revirar a cabeça... remexer tudo o que é certo, tudo o que é tomado como garantido como que uma lavagem da alma na tentativa de obrigar-me a valorizar aquilo que encontro pela frente, aquilo que tenho. "Nada é garantido..." diz-me ele enquanto me cospe na cara.

Sentado no banco do aeroporto, ainda não tinham sequer passado totalmente 240 minutos das 24 horas que tinha de esperar quando fui abordado por dois policias do aeroporto. Perguntaram-me gentilmente para onde ia, de onde vinha. Era demasiado grande a história para contar a estes dois, limitei-me a dizer que o meu último destino foi Dublin, era Português mas já não vivia no meu país. Questionaram-me se ia apanhar o avião ou o que estava ali a fazer, Mostrei os meus documentos e afastaram-se. A partir desse momento a maior diversão era encontrar as diversas cameras "ocultas" espalhadas pelo aeroporto... Umas mais vísivel que outras, o certo era que sempre me senti observado. Sabia que algures numa sala escura estava um conjunto de pessoas a acompanhar os vários passos dos individuos como eu que se passeavam naquele espaço como forma de ocupar o tempo. Somos sempre obeservados em tudo o que fazemos independentemente de termos a noção disso ou não. Um vizinho a espreitar pela janela, um cusco que nos segue com o seu olhar, alguém com o ouvido na parede do nosso quarto, as pessoas a nosso redor por muito distraídos que parecam, as câmeras vísiveis e ocultas são o "grande irmão" dos dias de hoje, por Deus ou pela nossa própria consciência estamos sempre a ser observados. Mas os meus pensamentos continuavam meus, bem como o aborrecimento de contar os segundos de um minuto os minutos de uma hora. Por terra ficou a filosofia de que o tempo já não fazia diferença para mim, e que até o homem mais sábido tem a sua fraqueza e retorna ao seu estado natural de preocupação e insegurança perante determinadas adversidades, seja elas enormes na sua dificuldade ou prelongadas na sua determinação: 24 horas não eram nada na vida do Zé, mas...

Seria eu bem recebido na Grécia? Conseguiria uma casa para o inverno? Conseguiria recuperar o meu amor? Teria a oportunidade de com ela continuar a presseguir os sonhos da vida de vadio? O que me esperava não sabia, e nada tinha em minha posse para além de alguns pretences vulgares...os mesmos com que parti alguns meses atrás... Certezas da minha coragem, e confiança em mim próprio ganhei nos desafios que me foram apresentados mas à minha frente ainda se encontrava outro ainda maior... a capacidade de amar, sem limitações, sem medos nem temores capazes de mais uma vez sabotar a minha própria felicidade, e sobre o algoritmo infinito da perfeição vivia ele numa vida acompanhada de alguém ou seria este o caminho oposto para o encontrar? Apenas a experiência me demonstraria o que estaria pronto para ser encontrado, e com um nó no estomago e o medo de uma criança que vai ao primeiro dia de escola eu fechei os olhos e tentei adormecer no banco (des)confortável almofadado de plástico e feito de uma estrutura metálica. Reparava em todos os pormenores de tudo pois tinha tempo para o fazer, e lembrei-me como tantas coisas nos escapam quando temos a pressa de chegar, a azafama de viver... quando corremos para o autocarro, quando bebemos o café sem tempo, quando voamos para chegar ao trabalho toda a beleza do mundo em redor, todos os brilhantes detalhes estéticos e arquitetónicos da paisagem urbana em nosso redor não são percepcionados nem memorizados, parece que perdemos a tal visão periférica e focamos apenas em duas coisas, o fundo da rua e os segundos que já passaram no relógio.

Passaram 12 horas e muitos cigarros fumados e passeios dados em corredores, junto a balcões de check-in e milhares de caras de pessoas diferentes com proveniências e fins destintos. Estava perdido na terra de ninguém e incerto no meu caminho, esperava uma mensagem da Maria que confirmar-se que a minha chegada seria esperada, que pela primeira vez teria alguém que vinha dar-me as boas vindas exactamente ao local de chegada, sem me deixar andar a sarandar perdido numa cidade nova, sentimento que adorava mas não muito mais que a sensação segura de abraça-la de novo... Uma mensagem era o que precisava para resistir mais 12 horas de monotonia...

Sem tardar o Destino irónico como sempre fez essa mensagem chegar no momento exacto que colocava tal sentimento de insegurança na minha cabeça:

"See you Thessaloniki, can't wait for you to arrive... Miss you to much all this time...You are my life. See you soon..."

"See you soon....for another cartoon!" é uma frase que sempre digo, gostava de ter sido eu a inventá-la mas faço sempre a sua citação numa situação de despedida. A sua proveniência é desconhecida mas é paraferisada numa música do poeta urbano STK, e mais um Cartoon virá para me dizer se estou certo no caminho a que levo esta vida de vadio.

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"See you in a minute"

Posted by Mikel_Gorbachov on 15:54


"I was rich, if not in money, in sunny hours and summer days..."
by Thoreau

Antes de cá chegar senti sempre uma força superior a mim mesmo que me puxava e indicava o caminho rumo a Dublin. Algo me dizia que ai encontraria mais respostas, que me traria certezas e que era obrigatória a passagem por esta terra. De muitas vezes enganei o meu destino e fiz o que me deu na cabeça, mas existe sempre presente um sentimento em mim que me aponta em determinadas direcções, talvez um sexto sentido que advinha um futuro próximo ou pressagia o caminho a seguir e os seus resultados. O que alguns poderiam chamar de divino ou chamaram de intelegência, eu próprio nunca o consegui perceber na totalidade. Às vezes surge perante mim coincidências que me fazem ver o seguimento lógico que o passado teve, algo que não consegui prever mas era tão obvio o seu desenlace. Outras vezes dou por mim confrontado com pequenos sinais que me dão conselhos sobre o que ainda está para vir... uma frase escrita na parede pressagia o próximo relacionamento, uma música na rádio anuncia o sucesso da noite, uma matricula de um carro diz-me se estou certo no meu pensamento momentâneo...é louco eu sei, questionei-me muitas vezes do mesmo, mas é nessa loucura que me guio e que encontro a forma de viver... e que "estranha forma de vida" é esta que tenho, mas não poderei ter qualquer outra porque esta é a única que sei viver.

A Verdade no mais puro sentido é que a minha chegada, estadia e partida foi para mim uma confirmação de que este era o caminho certo a seguir. O facto de reencontrar estas pessoas que compartilham a abertura que agora tenho sobre o tamanho do mundo que vai para lá do meu quintal. A amplitude das minhas aventuras, dos lugares distantes de casa revelam um tesouro maior que estava mesmo ali pronto a ser descoberto. Eu próprio. Dentro de mim havia já a resposta a muitas perguntas que tanto me inquietavam, quem sou? o que faço aqui? para onde vou a seguir? Num mundo sem tempo, sem pressões, sem necessidades não há a dependência de futilidades...

Despedi-me destes meus amigos acordando às quatro da manhã para apanhar o taxi que me havia de levar ao próximo destino. Um forte abraço dei naquele Guerreiro, daqueles que partem os ossos e mais uma vez proferimos uma antiga frase que é o moto da nossa amizade "De Sempre, para Sempre". Com um sorriso e um apertar de mão disse-me "See you in a minute!" como que o tempo que passa entre agora e o futuro distance e incerto é insignificante no seu tamanho porque nos reencontros esquece-se toda a distância... parece que só passou um minuto. E no próximo minuto quem sabe já estarei de volta.

Depois de deixar os meus pensamentos notei que o taxista era um negro que falava pelos cotovelos, olhando para o banco de trás vi um indiano que também se dirigia para o aeroporto. O taxista disse-nos que havia uma taxa fixa de 5euros até ao aeroporto mas ele tinha de encontrar mais passageiros, e às quatro da manhã demos 3 voltas ao centro de Dublin na busca de mais companheiros com o mesmo destino. Este individuo era um louco na condução e receei pela minha vida sob duas diferentes situações uma real que era a velocidade com que fazia as curvas e outra imaginária de que ali mesmo iria ser raptado pois não conseguia ver nitidamente o sujeito no banco de trás! O alivio só veio quando apanhamos mais duas raparigas, também elas iriam para apanhar um avião. Elas não fariam muita diferença numa situação de raptado, não seria pela força que evitaria o pior mas pronto, honestamente devo dizer que ao menos se fosse raptado não estava sozinho.

Disse as seguintes palavras para mim próprio enquanto fumava um cigarro à saída do aeroporto de Dublin: "Nunca contradigas o que és, porque nesse preciso momento estás apenas a trair a pessoa mais importante no teu mundo... Ti próprio. E essas são as traições que realmente voltam para te assombrar, e não em forma de gritos ou choradeiras, mas pensamentos incessantes e sombrios que invadem a tua mente e envenenam o teu progresso. "Semper fidelis" expressão latina para o que deves sempre ser. Fiél. Não necessariamente aos outros mas sempre a ti próprio. E é nessa certeza que vou seguir o meu destino e vou encontrar o resto da formula matemática e secreta que conduz à felicidade."

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"There's Whisky in the Jar"

Posted by Mikel_Gorbachov on 15:57 in , , , , ,
Aproximavam-se os últimos tempos da minha estadia em terras celtas. E estava em boa altura para fazer os primeiros preparativos para o próximo destino, um simples e-mail anunciava que a minha chegada à Républica Helênica estava para breve, a multiplicidade de pensamentos levaram-me a ponderar que a falta de dinheiro obrigava o Zé a parar de se movimentar em terras estrangeiras durante um periodo de tempo, o suficiente para juntar o necessário para continuar... Sebem que o verdadeiro louco que pede boleia não precisa de nada para sobreviver, alimenta-se de pensamentos e aventuras, mas também a água e o pão tem o seu custo e para evitar grandes desastres há sempre que tomar certas precauções. Um dia de chuva em Dublin fez-me lembrar o Inverno que depois de todo o Sol deste Verão parecia cada vez mais próximo, e tudo bem que dormir ao relento sabia bem em noites quentes de ares queimados pelos desertos africanos mas tal não soa tão positivo se o que queima-se a minha pele fosse o frio negro da noite. O Zé arranjou uma solução na sua cabeça, temporária e incerta. Mover-se o mais possível para próximo da Asia, o seu continente de sonho, fazê-lo de forma económica e aí instalado com o básico para o vádio (uma casa de cartão, pão e água, uma pilha de livros e uma caneta e bloco de notas) procurar recuperar o seu amor. O plano parecia astuto e o Tio Ryanair tratava das viagens, com os preços estudados a melhor forma seria voar até Londres e depois esperar 24 horas e voar até Salónica, seria uma longa espera mas tempo não era o seu problema e o aborrecimento não preocupava o pequeno. Sítio onde ficar não parecia problema, pois o Couchsurfing estava presente por toda a cidade, seria o suficiente para encontrar refúgio e pesquisar um cantinho para si próprio, "o canto do Vádio" onde podia aprofundar a sua cultura linguística ao mesmo tempo que teria de encontrar trabalho a "sério" como lhe chamam a maioria das pessoas que dependem de dinheiro para viver.

Os preparativos estavam feitos para a última noite em Dublin, Galinha com batatas era um manjar delicioso e a Guerreira apresentou-se com uma iguaria lá da sua terra. Medronho, um líquido transparente que só de cheirar exaltava as narinas com aquela fragância forte capaz de derrubar os mais valentes. "Que medo!" disse eu perante tal licor. Depois de comer e beber meia dúzia de copitos a muito custo o Zé já estava naquele mundo sub-consciente que adorava habitar, o licor transportava-o para um plano superior de si próprio o o corpo reage lentamente mas com muita piada. Munidos de reforços para o resto da noite, saimos de casa para irmos ao encontro do Guerreiro que acabaria o seu dia de trabalho e estava pronto para a rambóia. Com o estômago carregado de vinho e medronho e garrafitas pequenas de redbull com medronho (ou seria vodka?) lá fomos nós à procura do tal bravo que já nos esperava do outro lado do rio.

A pé, com um à frente do outro, porque andar de bicicleta aquela hora já seria demasiado grande desafio. Acredito que se me perde-se em algum momento da Guerreira nunca mais encontraria o caminho para casa. Amigo junta amigo e eles tinha um grupo interessante deles, Espanhóis, Polacos e outras nacionalidades não identificadas, tenho vagos flashes do que se passou, relembro-me de cair diversas vezes para detrás de uma coluna no canto do bar, lembro-me de conversar com o Guerreiro na parte de fora do bar cercados de uma grade na zona denominada para fumadores, lembro-me da Guerreira com três cervejas na mão. Fotografias e Sorrisos. Felicidade espontânea que me leva ao céu de alegria.

Episódio da noite: Na volta para casa, na tentativa de fazer amizade com o segurança do McDonald's (sim o Mac precisava de segurança aquelas horas pois estes individuos apesar de pacificos têm uma boa fama de gostarem de pancadaria a toda a hora), dizendo que já tinha ali trabalho e ainda tentando animar os clientes fui mal interpretado e banido de voltar... Mais um vádio expulso do Mcdonalds...nada de novo, querem o nosso dinheiro, têm uma mascote que é um palhaço mas quando se tenta fazer palhaçadas...Pumba! "Vai-te embora, pá!"


Comentário do Zé para a Guerreira quando questionado sobre a fonte do calor que emana no seu coração. Esta dissertação foi feita numa língua já familiar para o Zé, o Francês, sem saber bem porquê não gosto de ouvir palavras fortes na minha própria língua, em Português custa-me mais falar de ódio bem como de amor, significam demasiado, carregam demasiado fortes valores... tudo saí mais suave e facilmente quando se fala numa língua estrangeira, apesar de não ser tão fluído é mais despreocupada a escolha de termos.

"Eu não sei bem porquê, mas não posso viver sem amor. Não sei percebê-lo ou explicá-lo. Mas sei que sem ele não me sinto bem, procuro sempre por coisas que não me satisfazem e ando cego à procura da razão. Os sentimentos são comida para mim e não quero passar fome... "



Em visitas ao Temple Bar (zona dos bares em Old Dublin), na rua onde artistas faziam as suas performances e na casa dos companheiros Lusos ouvi diversas vezes esta música, por isso nos meus passeios era frequente cantá-la ou fazer um trautear na minha cabeça... A versão do Zé seria mais "There's medronho in the jar":


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Chuviscos e Focas

Posted by Mikel_Gorbachov on 16:33 in , , , , , ,
"La bohme, la bohme
ça voulait dire on est heureux
La bohme, la bohme
Nous ne mangions qu'un jour sur deux"

Na minha casa senti-me bem, e digo minha porque apesar de não contribuir para a renda assim me sentia. Ao deitar e ao despertar. É como se tivesse sempre vivido aqui, não havia cá meias medidas, perconceitos ou timidezes, era eu próprio como sempre fui junto a estes amigos. Acordado mais uma vez à hora que o meu corpo negou o colchão de ar que tão suavamente navegava pela noite, lá alinhamos os astros com os incensos mágicos disponiveis em diversos sabores e tamanhos em lojas aromáticas espalhadas por Dublin, sentia-me a regressar à minha amada cidade Amsterdam, aquela louca cheia de luzes vermelhas e arco-iris de imaginação, eu um dia conto-vos a história do Zé Vádio por terras Holandesas, mas posso dizer que foram tempos loucos, talvez tenha sido nesse momento que nasci, que ganhei a paixão pelo que está cá fora, delicei-me com falhanços linguisticos e arquitecturas de cortar a respiração, de momentos embarançantes e vitórias audazes, nesse tempo em que vivi lá, conheci-me a mim próprio e apesar de sempre carregar todas as dúvidas foi ai que mergulhei mais fundo na minha alma, e foi também ai que voei mais alto. Depois de recordações do que já passou e nunca há-de voltar dei por mim novamente pegar as bicicletas rumo à terra do norte onde o Guerreiro jurou haver focas para ver.

Outros amigos seus já tinham passado por estas paragens e não tinham deslumbrado tais animais, começei a pensar se ia enganado acreditando realmente que havia focas ao ar livre como ele jurava. Disse-me que raramente lhes punha a vista em cima mas que sabia um lugar especial, junto onde os pescadores chegavam com o peixe fresco onde elas costumavam parar. Bem, com a minha fé depositada neste jovem mais uma vez decidi não inventar e advinhar o caminho que nos conduziria até lá, poucas foram as vezes que me arrisquei a ultrapassá-lo apesar de conseguir com algumas pedaladas mas julguei que não seria a opção correcta pois por vezes cruzavamos ruas, e aqui tudo funcionava no sentido oposto e estava meio perdido meio confuso e completamente desorientado nesta cidade. Desconfio que em qualquer ponto se me tivessem largado demoraria muitos dias e noites a voltar a casa, e desta vez não tinha a minha tenda por isso fiquei sempre junto da roda traseira da bicicleta do Guerreiro.

Não demorou muito até deixarmos a "segura" via para bicicletas por entre o tráfego para estarmos em estrada bem mais pacífica, e apesar do enorme sinal a solicitar que ciclistas não se passeassem por ali, não seriamos Portugueses se não o fizessemos! Enfim, a estrada também era grande o suficiente para toda agente e sem risco (pelo menos para mim) lá fomos à beira mar a pedalar com a promessa das focas para me motivar... Por falar em motivação, há que referir que começou a chuviscar, e depois a chover, e depois a chover turrencialmente... Fui alertado que aqui era algo mais que comum e que o frio que senti estes dias era por estas bandas chamado de "bom tempo", o Sol de vez em quando aparecia mas era escasso e sombrio, de certo não era o mesmo que senti em Espanha queimar-me a pele. Abrigados numa espécie de paragem de autocarros (só que por ali não passavam carros nem autocarros) conversamos um pouco sobre o futuro, um tópico que para mim perdeu a sua importância como a música de um poeta português diz " Não sei para onde vou, só sei que não vou por ai..." Certamente não escolho o caminho mas é ele que me escolhe a mim (pelo menos este é o que penso...nem sempre quer dizer que seja o que faço, penso que me assemelho à generalidade dos Seres Humanos):

Guerreiro: Que pensas fazer a seguir?
Zé Vádio: Pensei aqui ficar, arranjar trabalho e ganhar mais dinheiro, pois o pouco que tinha já se foi...
Guerreiro: Porque não procuras trabalho aqui? Podiamos te ajudar os primeiros tempos, é seguro que conseguias arranjar trabalho, ganhavas umas boas guitas e quem sabe até gostas disto! Senão juntas o qb para continuar...
Zé Vádio: Em relação a acostumar-me sei que não teria problemas e especialmente porque vocês estão aqui, sinceramente não me sinto capaz de começar um vida num país distante sem ninguém por perto, começar sozinho a trabalhar diariamente e a viver a monotonia outra vez, pensei que tinha de vir aqui para estar contigo e falarmos, senti que isso me apontaria o caminho certo a seguir mas também existe outra coisa que me vem acompanhando nesta viagem um pensamento que sempre nego quando vem, que não dou espaço para crescer mas sempre teima em voltar...
Guerreiro: O Passado voltou para te chamar?
Zé Vádio: O passado nunca me deixou, tentei e retentei abandonar o sentimento que carrego em mim, neguei a sua existência, neguei as ligações que tinhamos mas nunca me deixou, queria viver, queria ver mais... e sinto que consegui, sinto que fiz o melhor que pude e em nada me arrependo, no entanto não consigo continuar sem a possibilidade de voltar aquele sentimento que os loucos chamam de "amor". Tenho de a encontrar.
Guerreiro: Ninguém pára o Zé Vádio... aliás nunca ninguém parou, sempre preseguis-te o que querias e não será agora que deixará de acontecer, quero que saibas que apoio a tua estadia aqui, em minha casa, ficas quanto tempo quiseres...sinto-me feliz por te ter aqui, e também sei que o passado no passado fica, e que nada volta a ser o mesmo e ainda bem que assim é, na altura que tudo acabou já não te conhecia, deixas-te de ser tu próprio, mudas-te... e isso não te fazia bem.
Zé Vádio: Sei bem disso, não quero uma repetição, quero uma oportunidade de ver se algo resulta... muitas coisas aconteceram para ambas as partes, outras relações, outras perdições e sei que nada é igual... mas a ver vamos, sei que vou continuar.
Guerreiro: Como pensas lá chegar?
Zé Vádio: Pois certo que de avião será mais barato, apesar de retirar da viagem até lá a sua piada, não foi por ela que começei nem por ela que vou para lá mas tenho de tentar, não conhecerei o que existe para lá do abismo senão mergulhar. É sempre assim. Mas sei que vou descobrir, como tudo o resto vou descobrir até a exaustação de saber se quero ou não... - Seguiu-se uns momentos de pausa da minha parte, olhei o horizonte na esperança que o mar me trouxe-se respostas, que o tal Senhor lá de cima manda-se um sinal, expressa-se na natureza o que eu deveria fazer... pois tal milagre não aconteceu!
Zé Vádio: A chuva já parou, seguimos?

Relações antigas sempre voltam... São como uma corda inquebrável com duas esferas de metal, uma em cada ponta, mesmo que atiremos com toda a força a primeira a segunda há-de sempre a seguir e até por vezes a ultrapassar.

Agarrámos novamente as bicicletas e lá fomos quilometro após quilometro, de braços no ar como pássaros, com o sabor do vento no rosto. Cheguei a uma área costeira, um Porto com casas e vida própria, o Guerreiro apontou-me a estação de comboios, poderiamos ter viajado nesse meio de transporte mas quem precisa disso quando se tem duas rodas? De barriga vazia não se vê focas! E fui presenteado com umas deliciosas e tradicionais Fish & Chips, eram um grande volume de batatas fritas extremamente saborosas com uma posta de filete de peixe fresquinho, nada que não tivesse já comido feito pela minha mãezinha que tantos dotes de cozinheira tem, mas aqui, sentado no banco de jardim, sabiam diferente, talvez pelo molho de alho e mais qualquer coisa que não consiga identificar. Mergulhava tudo o que podia no molho e apesar das gaivotas, pombos e outros passarões também eles não-identificados que nos rodeavam não foi muita a comida que partilhei com eles... "Vão trabalhar pá!!" - Disse-lhes em inglês. Não sei bem se me perceberam.

Há coisas na vida que perfiro não saber o que são, têm mais graça assim.. a comida desconhecida os animais diferentes.. o Que são? Sei apenas ver a sua beleza e isso preenche-me na totalidade, talvez se tivesse estudado estas criaturas a detalhe, soube-se a sua origem, a sua composição e o seu ciclo migratório arrancava delas toda a alegria com que os meus olhos as vêem, virgens na descoberta, brilhantes na aventura de ver algo novo.

O Guerreiro levou-me à peixaria mais próxima para comprar um peixe que cheirava tão mal como barato era, uns poucos euros enchiam um saco. Para que serve isto questionei-me. No local escolhido pelo amigo, fizemos o chamento das focas e nada avistamos a não ser um alargado conjunto de pássaros deliciados na água até que de repente se vê a água um agitar e uma barriga negra a mergulhar novamente... O que era aquilo? O Monstro de Lockness? "é uma foca..." elucidaram-me. Com o cheiro do peixe estas criaturas não reaceavam a aproximação e lá puseram as cabeçitas fora de água!! Era como as que vemos nos parques de diversões aquáticos, faziam de tudo por um peixe, jogava-se à água só com a simulação de atirar peixe que tanta piada achei. Mas a batalha estava para vir, porque também os passarões estavam esfomeados, se atirrassemos demasiado longe lá cercavam o peixe como abutres e não deixavam nada para as amigas focas. Depois do Guerreiro gastar os seus peixeis deu alguns ao Zé que como uma criança no primeiro dia que vai ao Jardim Zoológico adorou tal oportunidade. Mandava os peixes para cima delas, que mergulhavam sobre si próprias. De pouco se enche o sorriso de uma criança e de um simples momento o Zé transpirou alegria.

Fumamos uns cigarros à beira mar, a deslumbrar ilhas vizinhas. Espancados pelo vento decidimos voltar e fizemos os quilómetro de volta numa guerra constante contra o vento. Tão forte soprava que quem ia na direcção oposta nem precisava de pedalar, pois o Zé e o Guerreiro até tiveram de parar e anadr um bocadinho a pé...fumar um cigarro e voltar à sua luta contra o vento.

Foi basicamente uma alegria este dia, pela companhia, pelas focas, pelas conversas que à tanto tempo eu precisava que fossem ditas...faladas. Sei de algures (já não me recordo de onde) que na vida existem coisas que temos de resolver sozinhos enquanto outras (a grande maioria delas) devemos falar com outras pessoas, falar alto e até gritar se fôr preciso..o vital é mandar cá para fora do pensamento porque, frequentemente, se não o fizermos somos como o maluco do cão que presegue a sua própria cauda confuso sem arranjar solução.

Não quero ser cão, nem confusão, especialmente com a clareza que encontro agora dentro de mim, não sei se foi a viagem até aqui chegar se as pessoas que conheci ou até os amigos que finalmente reencontrei mas algo mudou em mim, onde havia destruição passou a existir tranquilidade.

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Às vezes gostava de ser Pássaro...

Posted by Mikel_Gorbachov on 15:47 in , , , , , ,
Dublin, cidade com o maior parque urbano da Europa e possivelmente do mundo! O Guerreiro teve as suas férias e decidiu guiar-me pelas ruas da sua cidade, de lugares por si conhecidos de ruas que já lhe eram familiares, assim me arrisquei a segui-lo. Montámos as bicicletas e lá fomos nós à procura das focas irlandesas.

O Guerreiro, bravo como sempre lançava-se entre autocarros e automóveis, vibra em contra curvas a pedalar no mapa que conhece tão bem como a palma da sua mão, eu medroso mas sem receios nada podia fazer que limitar-me a segui-lo. Tantas vezes vi a vida a andar para trás, e rezei! Mas na adrenalina do tráfego dublinense o feror de tal aventura fez-me vibrar e ZAaaasss la ia eu roçando espelhos e autocarros, sorrindo ao ver as pessoas sentadas a espreitar pela janela. Pedalámos sem parar ate chegarmos a um parque de tão grande tamanho que não avistei fim da relva na linha do horizonte, era o perfeito local para relaxar e demorava 40 minutos a atravessá-lo de uma ponta à outra, era incrivelmente enorme! Perante tamanha dispersão geográfica avistei dois monumentos que igualavam em grandeza este lugar mas desta vez em altura, o primeiro era um Obelisco. Gigante. No meu senso comum estes monumentos eram simbolos da adoração chamada pelos cristãos de pagã, devia ter sido construído pelos Celtas, ou levantado por tribos ancestrais que aqui tinham vivido, intrigado pela sua história não podia deixar de reparar que algo de positivo se gerava em seu redor, pois na extensão de relva que ali havia, muita gente se deliciava com o Sol, e ora corria ora jogava à bola, algo era mágico naquele lugar e enfeitaçava as pessoas com felicidade.

Mais à frente, econtrei o segundo grande monumento do parque, este também podia ser avistado à distância, aliás a grande distância, rodeado de campos verdes que alimentavam os meus olhos até à linha do horizonte, o contraste do verde escuro da mãe-natureza com o azul claro do céu de um dia maravilhoso faziam a perfeita combinação digna das melhores fotografias mentais e memórias que um homem pode guardar. O Monumento por si só, era uma gigantesca cruz, espetada na terra, como que a lembrar os homens que a Igreja está em todo o lado, que não interessa de onde vêm ou para onde vão que esta fé que espalham estará sempre em todo o lado, e que o Ser Humano é insignificante perante a grandeza de tal estrutura. Porque é que proclamam fé e paz onde em tudo o que fazem tentam fazer o Homem sentir-se diminuto dos seus próprios alcances, das suas vitórias e do seu poder, sabemos todos que o poder é corrupto mas não haverá salvação para o homem sábido que procura respostas no que vê? Para mim a fé e Deus não estava naquela enorme cruz branca plantada no parque, estava em tudo o resto em seu redor, nas cores das árvores, na pureza do céu, nas renas (ou talvez fossem veados) que se passeavam em liberdade, nos sorrisos das pessoas, na família que passa com o bébé no carrinho. Liberdade e amor. Beleza natural de que alguém que criou o mundo quereria para nós todos, de certo que um Ser com tamanha criatividade não quereria privar a sua criação de tal dom. Acredito no que sinto, no que vejo e o que agora está em meu redor é forte expressão da beleza e poder da natureza, única, complexa e brilhante...sem necessidades de glórias ou adorações e imparcial na sua obra de criação e destruição.

Surpreendido pela liberdade destes animais havia ali um animal mais livre que todos os outros. O Zé Vádio. Estimulado por conversas que tantas vezes imaginou na sua cabeça longe do seu amigo Guerreiro nada mais sabia melhor que apenas deixar a sua mente fluir, como sempre, as palavras era livres, e liberdade, felicidade e alegria eram formas de fazer brilhar os olhos destes dois.

Na sua batalha o Guerreiro encontrava as primeiras vitórias, e delimitava novas fronteiras para os seus sonhos, na sua navegação incerta o Vádio desafiava o destino e as pré-disposições que tinha sido planeadas para ele, violava as regras e procura algo mais. Algo não tão longe de ser encontrado como a príncipio, as dúvidas deram lugar a certezas e os medos foram substituídos por bravura, porque poucos eram os desafios que estavam à sua altura, mais forte, mais certo do que nunca o Zé bem como o Guerreiro, sabiam o queriam e o que os fazia feliz, talvez a fórmula não tivesse ainda completa na sua totalidade mas o algoritmo infinito daquela perfeição tantas vezes ambicionada encontrava-se agora, a apenas mais uns passos de distância. O que antes eram utopias tornam-se realidade e apenas o céu é o limite deste dois sonhadores.

Nos passeios de bicicleta existe algo que liberta o corpo da alma, seja o vento a bater na cara, as mãos que soltam o volante, "às vezes gostava de ser pássaro e voar" disse-me o Guerreiro, tal metamorfose é impossível, apenas na nossa mente e nas nossas aventuras voamos mais alto, não temos penas nem asas mas porém há algo que reflecte essa sensação, a de despregar os pés do chão e levitar no ar, descer a colina na bicicleta, de braços no ar a assobiar de alegria... Essa é a sensação que conheço que mais se parece ao pássaro que voa, e essa sensação é tão libertadora como boa, positivamente enche a alegria do vádio.

Ao final do dia, depois de muito pedalar, de incensos mágicos e levitações mentais que faziam-nos voar ao viajar em duas rodas, sonhos apareciam de viagens maiores que se aproximava. O Guerreiro tinha comprado caranguejos de uma amiga Chinesa que faria um magnífico petisco para os três enquanto acompanhados de cervejas e vinhos, divertimo-nos com jogos e conversas de tudo, matava todas as saudades que tinha de estar ao pé destes dois... Grandes amigos.

Ficou a promessa no ar de ir descobrir as focas... amanhã talvez consiga ir lá visita-las, pois desde que parti deixei de ter pressa de chegar, hoje vivo um tempo de cada vez, sem olhar para o tic-tac constante, sem me preocupar em ter tudo o que planeei, apenas navego no momento e deixo-me levar pela alegria de estar aqui.

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O Sabor de Ser Português

Posted by Mikel_Gorbachov on 15:44 in , , , , , ,
"Pensar incomoda como andar à chuva" by Alberto Caeiro

"The great appear great because we are on our knees: Let us rise!!" by Jim Larkim

Muito presente nas nossas conversas estava sempre o nosso país, Portugal. Tanto para mim como para eles, era estranho estar a falar tanto português, algo que não acontece regularmente nos dias de hoje, eu por exemplo, excepto nas primeiras paragens em Espanha não voltei a partilhar o prazer de comunicar na minha lingua, até agora. Somos emigrantes, essa é a realidade, sabemos que o termo não caí bem pois é naturalmente associado À vaga de emigrantes portugueses nos anos 80 e 90 que se povoaram a França, Luxemburgo, Suiça e Alemanha e voltaram a Portugal ouvindo músicas pimba e com calções e meias brancas.

Hoje o emigrante português é diferente, vêm mais vivido, mais formado e com novas formas de provar mundialmente a sua famosa capacidade de "desenrascanço", não somos "atadinhos" ou não nos resumimos ao nosso trabalho, metemos o bedelho no que os outros fazem e sempre sabemos fazer "de tudo um pouco" mas afinal o que nos faz ser Portugueses? Quem é o Zé Povinho actualmente?

Primeiro, para se saber o que realmente significa ser lusitano é necessário sair-se desse pedaço de terra plantado À beira do mar, só de fora se consegue ver a verdadeira beleza do nosso pais. Também aqueles que sairam à procura de um novo mundo voltaram com novas ideias, novos produtos e muito, muito orgulho nacional. Seja nos descobrimentos que nos marcam pelo positivo avançado cultural que trouxemos ao mundo, seja pela Guerra colonial que mancham de Sangue a nossa história de pacificos mercadores, que faziam troca de tudo e mais alguma coisa, incluindo escravos. Fora pequenos detalhes que temos sempre a tendência de esquecer e deixar de lado, temos inevitávelmente a chamada "memória-curta" porque as novas gerações nunca viveram sem liberdade, sem necessidade de se esconder para falar do que realmente importa, também eu não vivi, mas está presente dentro de mim, e nunca deve ser esquecido que o que hoje temos por muito bom ou muito criticável que seja foi criado por gerações e gerações de lutadores, coisas como Direitos, como o voto livre e liberdade de expressão foram, noutros tempos, útopias filosoficas de poetas e pensadores. O Voto deu o seu lugar à abstenção, a liberdade de expressão à politica do "bota-abaixo", as manifestações deram lugar aos "ratos", aqueles que falam falam mas na altura de fazer alguma coisa nunca estão lá.

Ponto por ponto:
O Voto VS Abstenção (com um cheirinho de Economia)

Porque é que existem tão elevados números de abstenção em Portugal? Eis as várias razões que levam o Português a não votar: "As moscas mudam e a merda é sempre a mesma", sim este ditado popular não deixa de ser verdade, entre o PS ou o PSD os dois "grandes" partidos em Portugal não há muito que os distinga, ambos fizeram merda no passado, ambos defendem os seus próprios interesses quando estão no poder e não os interesses do chamado Povo, sim aquele povo que ainda existe dentro de nós, aquele que raramente se expressa, que nunca se incomoda com nada e que normalmente só se revolta por futebol ou aumentos de impostos.

E o tal 25 de Abril foi um Revolução Militar, feita por militares e apoiada pelo povo, tudo bem que os rebeldes divulgavam as suas mensagens e tentaram manter a mentalidade liberal dentro da maioria, mas não hora dos tiros, do sangue derramado, da Revolução de Armas tivemos a mais pacífica de sempre, a Revoluçao dos Cravos, vejam a vizinha Espanha, vejam os Alemães ou os Russos o que este individuos tiveram de passar e viver para conseguir a chamada Democracia. Essa é a principal razão pela qual o orgulho nacional não se encontra esbanjado na bandeira Portuguesa a cada pedaço de rua, porque isto não é Portugal é a conhecida Républica das Bananas onde tudo é possivel com a correcta quantidade de corrupção e dinheiro.

Se tivessemos que realmente lutar por alguma coisa, como os que menos tem e mais fazem realmente TÊM DE LUTAR, ai já teriamos orgulho no que é nosso. Vejam a história, nunca uma maioria defendeu os interesses de um país, as maiorias servem para suportar burocratas e criar uma elite de chulos que nada mais fazem que sorrir a toda a gente e tentar acumular em si próprios a maior riqueza possível. O Clero, a Nobreza... Chulos, chulos... Políticos e Patrões... chulos, chulos... Mas claro, isto tudo seria condenável em praça pública se pusessemos de lado a postura do Zé Povinho em relação a... quase tudo.

Outra das principais razões de abstenção é o facto das eleições serem realizadas ao Domingo, ou seja, ninguém tem direito a tirar mais um dia de folga só para votar, e toda agente tem de abdicar do sofá ao domingo por um periodo de algumas horas para exercer tão nobre direito. Vale a pena? Naaaaaaaa. Para quê? Nem decidimos nada, nada nada disto é nosso. Como uma vez já ouvi: "o meu voto não faz a diferença". Ou és muita estupido ou não sabes fazer contas, claro que o teu voto faz a diferença, todos eles fazem, é por isso que existe uma contagem com respectiva nomeação de lugares no parlamento, porque todos os votos fazem a diferença e todos eles CONTAM. Esqueci-me da maior razão para não ir votar: Os Centros Comerciais. São os monumentos portugueses dos tempos modernos, não somente um espaço comercial, como lazer familiar, diversão pessoal, compras e descontos. Diz o Zé Povinho que quem inventou tal conceito deveria ter uma estátua numa rotunda em Lisboa porque é melhor que o próprio Marquês de Pombal, porque é que o marquês não fez da baixa pombalina um gigantesco centro comercial? Bahhh, não percebia nada disto, que melhor lugar que um shoping para atraír milhares de marcas estrangeiras onde podemos gastar lá o nosso dinheirinho e ele é imediatamente da como garantido nos cofres de outros países, é como fazer turismo dentro de portugal (não que façamos, em excepção do Algarve em Agosto) mas sim, é fabuloso, temos Zara, Berska e Pull & bear dinheiro para os espanhois, temos Dolce Gabana para os italianos, Adidas e Hugo Boss para os alemães, Lacoste para os Franceses, McDonald's e Nike para os americanos e por ai em diante...

Só na lista da Wikipedia (que diga-se de passagem é tudo menos fidegna estão listados 110 centros de esbanjação de dinheiro que tão frequentemente nos queixamos que não temos... Mas se não temos também há solução para isso, basta pedir um emprestimo com taxas elevadissimas e depois logo se paga... brutal, o esquema economico português!) E para quê ir aquelas lojinhas locais onde nem se quer há a tal enorme variedade, os preços são mais caros e as coisas que lá se vendem são portuguesas? Essas lojas não prestam, nem têm luzes brilhantes ou super mega promoções e normalmente não estão num centro comercial estão na rua abertas ao público, isso é para pobres... Que grande junção de diarreia mental é por vezes a nossa mentalidade. Por esta altura os "bota-abaixo" estão a remoer-se na cadeira e dizer aí e tal mas não devemos fechar as nossas portas a tamanhos investimentos estranegiros, aos milhares de postos de trabalhos gerados por estes espaços. Os investimentos são provavelmente feitos também eles em empresas estrangeiras que possuem mão-de-obra "especializada" para o efeito pretendido, é como o Alemão que traz Alemães para trabalhar na empresa Alemã que explora o mercado Portguês, a única parte que é mesmo nossa é aquela de gastar dinheiro. E então o que é que um vádio como tu argumenta sobre os milhares de postos de trabalho gerados? "Gerados" é o termo incorrecto, talvez "transferidos" seria bem melhor, porque estas pessoas trabalhavam noutras lojas talvez elas locais que tem de fechar porque obviamente não conseguem competir com as grandes superficies comercias, grandes em tamanho e não em beneficios que trazem para o nosso país. A entrada de novos países na UE e a crise provaram isso mesmo, estas "empresas" que adoram Portugal estão fora do nosso país nas alturas mais dificies porque eles preocupam-se com lucros e não com as pessoas que lá trabalham, se não há lucros para quê ficar neste mercado? Enquanto se fôr uma empresa portuguesa, o chefe português que a quer fechar vai levar o seu negócio para onde? Normalmente não vai mais longe que a frequesia ao lado...

Ninguém diz para nao comprares tudo o que não é português, mas um consumo consciente seria um ponto de partida para suportar o que é NOSSO! E ser contra MAIS CENTROS COMERCIAIS também seria uma boa política, o grande mal já está enraízado na sociedade agora ir contra ele é a parte mais difícil...

Exemplo: A viver na Holanda foi raro encontrar um Mega super hiper Centro Comercial! Porquê? Porque estes individuos preferem suportar o comércio local! Resultado: A baixa das cidades estavam sempre cheia de vida com milhares de pessoas a dar emprego a tantas outras milhares, o dinheiro circula dentro da economia Holandesa em vez de ser oferecido a Chulos estrangeiros. Orgulho Fascista? Não, apenas Capitalismo Nacionalista e diga-se de passagem... inteligente.

Moral da História: Se não votares a merda vai mesmo continuar sempre a mesma, e as moscas não mudam porque as moscas que andam lá a nadar não são eles, és tu!


A Liberdade de Expressão VS A Política do "Bota-abaixo"

Sim! Existe e está presente este direito que temos de nos expressar, e temos perfeita consciência disso porque diariamente temos de levar com ele, do género "A cultura é como a marmelada, quanto menos se tem mais se espalha!", todo o Santo individuo tem o direito de levantar e julgar o próximo ou uma situação. Este direito foi concebido para permitir que todos os pontos de vista pudessem ser exprimidos e que ninguém fosse discriminado ou penalizado pelo que acredita. Ou seja, numa prespectiva utópica isto só traria vantagens, porque em vez de ouvirmos a opinião somente de quem pensa que tem razão podiamos ouvir diferentes pontos de vista e compôr uma conclusão mais ajuízada e razoável, sendo que cada pessoa traria a sua experiência e conhecimento à conversa e isso resultaria em algo melhor. ERRADO! Totalmente errado para o Português, porque se todos podemos falar, significa que todos temos razão e de uma forma mais egoísta significa que um individuo tem mais razão que os outros todos porque o seu ponto de vista é SEU! Que estupidez... Ninguém se respeita, ninguém considera o que o outro diz e o que devia ser um diálogo aberto à evolução passa a ser uma discussão sem sentido nem rumo...

MAIOR EXEMPLO disto é mesmo o parlamento, faz-me lembrar a escola primária porque são meia duzia de miúdos a disputar pelo rebuçado da Razão o que um diz o outro contradiz e não é importante o contéudo do que foi dito mas sim fazer frente, contradizer, no "Bota-abaixo" reside a razão... Um vai para o poder e pára as obras do outro, o outro fica na oposição a bater o pé e a dizer que ele é que tem razão, que o mentiroso é o primeiro-ministro (seja ele quem fôr) e depois segue umas horas de argumentação da tentativa de provar quem está a mentir... Esse parlamento que deveria ser um conjunto de cidadãos a lutar pela progressão nacional nada mais é que um frente a frente de razões e filosofias díspares. Esquecendo o facto que todos estes senhores recebem bons ordenados, fazem pontes quando é feriado há terça ou há quinta e ainda tem reformas duplas quando outras têm meias reformas... Rídiculo? Não. Mais ridiculo é que isto é simplesmente o que acontece quando se dá poder a alguns e a maioria coloca a venda nos olhos, segue a fila como cordeirinhos e preocupa-se apenas com o seu próprio umbigo. Sempre que existir alguém a tentar fazer algo há-de existir sempre outro alguém a mandar abaixo tudo o que é progresso e evolução. Para benefício pessoal, este é tipo de pessoa qcrítica, critica, critica, diz que isto está uma merda, que tudo é roubalheira que tudo é mau mas na altura de fazer alguma coisa dá corda aos sapatos e vai para o Centro Comercial. Triste é o Fado, isto é apenas o retrato real do Português no que toca a progredir, conquistar e vencer. Já não há descobridores de meio mundo, revolucionários de pensamento e lideres da Liberade, há Chulos e Chulados e no meio está o Zé Povinho ao sabor da maré que não rema contra nada apenas deixa-se andar perdido nas Super Bock's e discussões sobre futebol...

CONSELHOS DO ZÉ Ninguém:

Deixa-te andar e depois queixa-te que não é nada de novo... é a mesma historia de sempre que conduz apenas a tudo estar igual. Luta apenas por algo que te incomoda a ti pessoalmente e para defender os teus egoístas interesses pessoais porque nada mais importa nesse pedaço de terra que nem sequer é teu, é apenas por mero acaso que o país se chama Portugal e tu és apelidado de Português, nada disso tem a ver com o facto de que tudo que está nessa republica é teu, e que quando roubas ao Governo estás apenas a roubar a ti próprio porque pagas impostos, quando foges às finanças está apenas a prejudicar os serviços que tu próprio utilizas e depois dizes que são lentos, e quando pensas que estás apenas a ser mais esperto que todos os outros és apenas o mais burro de todos que não percebe que está a roubar de si próprio...

É como tirar dinheiro do bolso esquerdo para meter no direito e depois ficar contente porque um está mais rico que o outro. Chama um imigrante de otário porque ele apenas faz trabalhos que tu enquanto desempregado te recusas a fazer, continua a cuspir para o chão porque afinal alguém que tu pagas o ordenado há-de limpar, se não estiveres doente mete baixa porque vais receber dinheiro que era originalmente teu, se tiveres trabalho inscreve-te no fundo de desemprego porque é também uma boa oportunidade de roubares toda a tua familia que paga para taxas e impostos, se trabalhares para o governo nem vale a pena fazeres nenhum, o ideal é desperdiciar material e tempo porque o teu ordenado vem dos cofres do estado que é apenas o nosso dinheirinho todo, o acumular dos impostos que também tu pagas! Inscreve-te para subsidios e mente para os conseguires porque afinal estás apenas a roubar a ti e a todos os outros que pagam impostos, se tiveres a oportunidade destrói algo na via publica porque afinal de contas foste só tu que pagas-te por elas e sim desrepeita tudo e todos porque enquanto eles são uma cambada de cabrões o único filho da puta aqui és mesmo tu...

No final disto tudo, vai para o meio dos teus conhecidos e amigos e chama a todos os que querem progredir de chulos porque eles sim estão a condenar o nosso país há miséria e estagnação, nada disso tem haver com as tuas acções diarias é como o Voto, mais um não, não faz diferença nenhuma...


EXCERTOS Da Constituição Portguesa, sim aquela que define os principios que regulam o nosso país, alguns deles parecem esquecidos, entre parentisis coloco os meus pensamentos sobre o assunto:

"
Artigo 25.º
Direito à integridade pessoal

1. A integridade moral e física das pessoas é inviolável.
(excepto quando és roubado na tua própria casa ou em via publica por um grupo organizado de individuos que apenas quer os teus bens à força)

Artigo 27.º
Direito à liberdade e à segurança

1. Todos têm direito à liberdade e à segurança.
(Sim claro, e dizem que o marxismo é uma útopia, vão lá passear na Cova da Moura e depois digam-me se este direito é respeitado)

Artigo 34.º
Inviolabilidade do domicílio e da correspondência

1. O domicílio e o sigilo da correspondência e dos outros meios de comunicação privada são invioláveis. (em casa e no trabalho, quantos "espiões" não andam a bisbolhotar as coisas alheias sem penalizações?)

Artigo 36.º
Família, casamento e filiação
5. Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos
(o direito têm já no que diz respeito ao dever muitos deixam tanto a desejar...)

Artigo 43.º
Liberdade de aprender e ensinar

1. É garantida a liberdade de aprender e ensinar.

2. O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas.
(Esta é para a última ministra da educação que nunca deve ter lido a constituição mas também para os professores que às vezes parecem estar mais preocupados consigo próprios do que com a educação)

Artigo 45.º
Direito de reunião e de manifestação

1. Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização.

2. A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação.
(excepto no sector privado onde existe uma real possibilidade de depois ser-se despedido ou fazerem de tudo para te sentires mal...)

Artigo 50.º
Direito de acesso a cargos públicos

1. Todos os cidadãos têm o direito de acesso, em condições de igualdade e liberdade, aos cargos públicos. (Igualdade? Tipo mentir para conseguir estatutos? Esta é para o Engenheiro José Socrates)

Artigo 59.º
Direitos dos trabalhadores

1. Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito:

a) À retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, de forma a garantir uma existência condigna;
(sem querer aprofundar não existe distinção excepto naquela parte em quase todos os anuncios de trabalho dizem "PRECISA-SE: Pessoa responsável do sexo feminino/masculino" cheira-me que isto não é própriamente legal...)

Artigo 63.º
Segurança social e solidariedade

1. Todos têm direito à segurança social. (especialmente se mentires para conseguires mais apoios)

Artigo 64.º
Saúde

1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.
(mesmo que tenhas que esperar 6horas no amador-Sintra ou que sais de lá mais doente do que entras-te, sim continuas com este pseudo-direito)

Artigo 65.º
Habitação e urbanismo

1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar. (excepto os que vivem no liniar da pobreza em barracas)

Artigo 69.º
Infância

1. As crianças têm direito à protecção da sociedade e do Estado, com vista ao seu desenvolvimento integral, especialmente contra todas as formas de abandono, de discriminação e de opressão e contra o exercício abusivo da autoridade na família e nas demais instituições. (as crianças da casa pia não tiveram direito a nada excepto maus-tratos...)

Artigo 72.º
Terceira idade

1. As pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem e superem o isolamento ou a marginalização social. (Excepto todos os idosos que vivem na pobreza sem dinheiro para comer ou medicamentos, exilados e tratados como "bagagem" social...)

Artigo 77.º
Participação democrática no ensino

1. Os professores e alunos têm o direito de participar na gestão democrática das escolas, nos termos da lei. (Todos sabemos quem realmente manda nas escolas, antes eram os professores, agora tenta ser o ministério mas quem é que realmente se importa com a opinião de meia duzia de putos?)

Artigo 87.º
Actividade económica e investimentos estrangeiros

A lei disciplinará a actividade económica e os investimentos por parte de pessoas singulares ou colectivas estrangeiras, a fim de garantir a sua contribuição para o desenvolvimento do país e defender a independência nacional e os interesses dos trabalhadores. (sim, pois... está devia ser revista pela mais recente crise, exemplo todas as empresas que absorveram fundos do estado e fugiram para outros paises quando tiveram a primeira oportunidade)

(O MEU FAVORITO:)

Artigo 21.º
Direito de resistência

1. Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.
(DEFENDE-TE quando qualquer um dos teus direitos fôr violado... recorrer à autoridade pública nem sempre é possivel, mas tens direito a lutar pelo que tens direito! Clap, clap! Bravo!)

"

é possivel ver toda a constituição portuguesa em:

Constituição Portuguesa


E já que referi os crimes do Zé Povinho na sua atitude diária aqui ficam também algumas lembranças de um passado recente de chulos engravatados que só por terem um fato pensam que são doutores, calamidades públicas, feitas aos olhos de todos e sem qualquer penalidade.


Retirado do Blog: aspalavrassaoarmas.blogspot.com

"Para recordar e não esquecer

Casa Pia - Portucale - Operaçăo Furacăo - compra dos submarinos - Universidade Independente - Universidade Moderna - Apito Dourado - Millennium - BPN – BPP - Fátima Felgueiras - Isaltino Morais - Braga Parques - as prescrições de Costa Freire, Leonor Beleza e mãe - Filho de Leonor Beleza/Tráfico de droga - Zézé Beleza - as operações imobiliárias da Obriverca – alterações dos PDM’s para beneficiar construtores - as acusações feitas por Marinho Pinto bastonário da Ordem dos Advogados e que o MP prometeu investigar - o mistério dos crimes imputados ao padre Frederico e porque o deixaram fugir da cadeia após condenação - As famosas fotografias de Teresa Costa Macedo onde reconheceu imensa gente 'importante', jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estăo? - Os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran e os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? - a distribuição das casas da Câmara de Lisboa pelos amigos - Derrapagem Centro Cultural de Belém (de 4 para 44 milhões de contos) – Casos das facturas falsas, viagens fantasmas – caso Saleiro, Cadilhe, Judas, Torres Couto/UGT, Expo98 / Mega Ferreira / derrapagens/ alugueres de navios, J.A.E, fundação VARA, Metro Lisboa/derrapagens - Obras públicas do governo PS sem concursos - caso Partex - caso Nabeiro / 500 mil contos de impostos por pagar ao estado e avançados mais tarde por Mário Soares - Ligações promíscuas da RTP à Olivedesportos - Diamantes+ marfim / Soares - caso Lusomundo/compra de acções antes da OPA da PT - Godinho Lopes / Navios alugados para a Expo98 (1milhão pró bolso+4 milhões de prejuízo ao Estado) - Derrapagens no Metro/Porto, Porto 2001, Casa da Música - Fundação Mário Soares - Universidade Lusófona - caso Pimenta Machado - caso Ferreira Torres/CMMarco de Canavezes - Euro 2004 - corrupção sem limites (derrapagens e utilização de dinheiros públicos) - Bárbara Guimarães/verba de 110 mil euros atribuída por Carrilho em 2001/02 - Pedofilia na Madeira (caso encerrado) - Pedofilia nos Açores - Gestão privado Hospital Amadora-Sintra ...75 milhões de euros de défice de gestão e de despesas não fundamentadas - Passagem a Fundação da Universidade Lusíada - Terrenos da Companhia das Lezírias do Estado e zona ecológica protegida autorizadas parcelas para abatimento para especulação imobiliária por governantes em 1995, 1999 (não concretizada por fuga da notícia para exterior) e em 2005, 4 dias antes das eleições que deu substituição do governo - caso FREEPORT - Caso de tráfego de influências e luvas com Godinho, Vara, Penedos e todos aqueles que se escapam."

Boas Referências Revolucionárias:

revolucionaria.wordpress.com
cravodeabril.blogspot.com
Memorando Revolucionário
revolucionaria.wordpress.com

PS: E para aqueles que dizem "Há agora o Zé tem a mania que é estrangeiro e já critica a Tuga" é porque não conhecem o Zé Vádio, que será sempre Lusitano e sempre será um Revolucionário!

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Dublino, fui tratado como o Rei da Babilónia

Posted by Mikel_Gorbachov on 13:20 in , , , ,
"Querer não é poder. Quem pôde, quis antes de poder só depois de poder. Quem quer nunca há-de poder, porque se perde em querer." by Fernando Pessoa

E ali estava eu, em terras Irlandesas, no autocarro de dois andares a vaguear as ruas da Capital! O ponto de encontro definido foi uma grande estátua a apontar para o rio junto a uma agulha gigante. Bem, cidade de loucos para começar. O autocarro era de dois andares, o inglês era falado nas ruas, os carros andavam do lado esquerdo da estrada...Estava eu em Londres ou quê??? Semelhanças eram aos milhões excepto duas grandes diferenças: A quantidade de pessoas ruivas, e as placas da estrada estavam escritas em Inglês e Gaélico ( a lingua irlandesa que soava..bem, não quero ferir sugestibilidades, mas não soa a nada que alguma vez tivesse ouvido a não ser quando o meu cão rosnava!).

Em busca da estátua dei com a rua principal com centenas de pessoas a deslumbrar um mega acidente, coisas que não sou muito adepto mas enfim, ninguém morreu por isso até a destruição tem a sua beleza, um eléctrico tinha chocado com um autocarro, deixo uma pequena imagem para referência visual! O resultado deste incidente na vida do Zé é que agora seria impossível encontrar a Guerreira com quem tinha combinado ir-me buscar... Tinha que estar mais alto que toda agente e empoleirei-me num marco da rua, num daqueles que o municipio coloca junto à estrada para ninguém parquear. Era o mais alto, e inevitávelmente não passava despercebido a quem passa-se e lá me encontrou aquela que sempre encontra tudo o que quer!

A Guerreira conduziu-me a alguns marcos importantes da cidade antes de irmos para casa aguardar a chegada do Guerreiro. Conheci o Tio O'connel que era a estatua que se fazia destacar na rua principal, não apontava para nada e estava cheio de gloriosas caganitas de pombos que tantas vezes se repousavam na sua cabeça, certamente nunca o Sr. tinha imaginado que a sua Estátua seria a Casa-de-banho ideal de aves mas pronto... continuando em pontos de interesse: a maior agulha do mundo que nada mais era que uma gigantesca agulha enfiada na terra, seria de esperar que esta monumental demonstração de engenharia humana tivesse uma nobre razão para a sua construcção, mas não. A sua localização e intuíto era puramente estético para uma das principais artérias da cidade, acho que esse é sempre o objectivo de Homem nas suas construcções, criar algo belo. Para além de mostrar do que é capaz, o Homem, fá-lo simplesmente porque considera bonito, para mim é razão demasiado fútil.

Chegado à Casa Lusó Francesa (entende-se que as origens de ambos os Guerreiros definem este conceito de hospitalidade), nada melhor podia esperar destes meus amigos emigrantes. Sem grandes luxos, como sempre característica aderente na personalidade de cada um, tinha tudo o que se podia pedir para conforto e bem se viver. Os sofás negros era cantos perfeitos para o famoso cochilo (conceito brasileiro adoptado pelo forcados nos tempos de Faroeste, ver ilustração no fim), as paredes estavam decoradas com fotos e mapas de viagens loucas por eles conquistadas, um cheiro maravilhoso a incensos impróprios para consumo humano enchia de alegria os meus neurónios, a cozinha aconchegante, o quarto como o ninho do amor destes dois e a casa banho com um fio pendurado ao tecto que não servia para acender a luz mas sim o esquentador e a Sanita, entitulada como a Poltrona do Guerreiro, visto que este adorava passar os primeiros momentos matinais ali sentado, entre leituras de revistas para homens, café e cigarros partilhava logicamente o cheiro dos seus próprios gazes intestinais. Um hobbie à partida tido como grosseiro mas partilhado por muitos machos. Sem entrar mais em detalhes deste ritual da "merda" gostava de deixar claro que muitas foram as vezes que recebi a observação de rápido cagão somente pelo injusto facto de usar estas instalações e não permanecer nela por largos periodos de tempo! Razão: Cagar e sair dali o mais rápido possível para deixar o cheiro para o próximo!!!!

Da janela de sua casa vi a Igreja do São Salvador, aquele que salva em que nele acredita. Viajei na minha imaginação no dia que fariam uma estátua em Honra ao Zé Vádio, aquele que nele acredita há-de ser boémio e vádio para o resto da sua vida!

"Noc, noc" chave na porta e chega o Guerreiro com um "abraço amigo, abraço sentido, já tenho os braços quase partidos"! E aí nos perdemos com o tempo os três, em histórias ainda não contadas das tripécias do Zé até ali chegar, recordações e passado que encontrava naquele dia o presente! A promessa tinha sido feita no dia da partida para terras Irlandesas, a promessa de um dia aqui chegar, essa previsão tinha hoje sido confirmada e ali me encontrei com o maior sorriso que um Homem pode ter, rodeado de familía, tratado como um rei numa casa que foi apelidada como também ela minha! Nos dias que se seguiram, o Zé, Rei da Babilónia foi presenteado com vinhos e iguarias, Crambles deliciosos feitos de maça e frutos silvestres, melodias harmoniosas de músicas internacionais, incesos orientais e palavras de amizade, e acham que aqui era possivel dormir no chão ou no sofá? Nunca foi... Era enchida com ar a cama king-size que me fez dormir e sonhar. Foi como voltar a casa, falava-se português e relembrei o apartamento do 4º Direito em Massamá, a euforia do meu sobrinho, o sorriso da minha mãe, a voz do meu pai e a loucura do meu irmão. Vi estes dois como parte dessa grande família que compõe o meu coração, esse orgão de ritmo certo amaldiçoado pelo amor em tempos distantes abriu-se aqui pela primeira vez, rompeu teias de aranha e viu esse sentimento tão ferveroso tão acesso, o calor que imanava destes dois era fonte de gás natural, calorífico em noite de inverno e lareira em ceia de Natal, doce como o chocalate quente, vivo como um vádio. Grandes planos estavam reservados para os próximos dias pois em tempo de visita do Zé, o Guerreiro organizou as suas férias para poder coincidir o seu tempo e mostrar-me a sua cidade... O que estaria para vir era um mistério mas guardava a certeza de que apenas do bom e do melhor me encontraria aqui.

Ilustração sobre "Cochilo":


(e tantas foram as vezes que o adorei fazer!!)

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Snow Effect

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